Jornalistas precisam 'romper a bolha' para enfrentar redes e IA

Sem perder o olhar crítico sobre os desafios da profissão, incluindo o crescimento do uso da Inteligência Artificial e o impacto das redes sociais, o grupo reunido pelo Projeto Enfrentamento da Crise da Profissão de Jornalista (Enprojor) acredita nas soluções coletivas. Foi esse o norte do encontro on-line realizado no dia 3 de março, com participantes de cinco diferentes cidades do Estado do Rio de Janeiro e de Juiz de Fora (MG).
"Temos totais condições de furar a bolha e levar conteúdo sério ao público que vem sendo prejudicado com a desinformação", afirmou Astrea Castro, do Setor de Comunicação do Núcleo de Biodiversidade e Sustentabilidade – Nupem/UFRJ Macaé.
Na visão de Astrea, há um grande número de jornalistas altamente qualificados que podem promover a resistência aos efeitos desagregadores das plataformas e das ferramentas como o Chat Gpt e o Gemini.
"O que falta é um movimento de articulação, como o Enprojor. Acredito que esse projeto tem tudo para conseguir apoio de instituições de pesquisa e ser levado a todos os cursos de jornalismo do país", afirma ela, que é mestra em Ciências Ambientais e Conservação pela UFRJ e revisa trabalhos desenvolvidos no Nupem.
Essa é também a opinião de Mário Souza, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro (SJPRJ). "Além das faculdades, o Enprojor e iniciativas semelhantes, com instituições como a Fenaj, devem ampliar suas ações para os movimentos comunitários de comunicação. Do contrário, não avançaremos".
Lei do profissional multimídia
Segundo o sindicalista, a lei do profissional multimídia "foi um decreto imperdoável do governo federal". Os jornalistas Marcus Santos, da assessoria da Petrobras, Fernanda Viseu, dona da FV Comunicação, ambos de Macaé, e Clinton Davisson, jornalista e escritor de Juiz de Fora (MG) também discutiram a respeito.
Entre críticas de que essa foi uma "vingança" do presidente Lula pela perseguição que sofreu por parte da imprensa, houve a ponderação de que quem destinou por décadas suas manchetes contra Luís Inácio foram os donos de jornais e emissoras. Na opinião de Fernanda, os empregados é que foram os grandes prejudicados pelo decreto. "Defendemos e devemos trabalhar pela revogação já!", ela enfatizou.
Participação de não jornalistas
A busca do apoio de não jornalistas para o resgate da profissão é uma das metas do Enprojor. "Temos em nossa Comunidade de Pesquisa e Prática (CPP) também pessoas de outras profissões, que entendem que o jornalismo é indispensável à democracia", afirma Marcello Riella Benites, da assessoria da Câmara Municipal de Macaé".
O projeto é o resultado da tese de doutorado de Marcello, em Cognição, Linguagem e Tecnologias da Informação, na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).
Contribuição para a luta dos jornalistas
Tendo já atuado por 15 anos em grandes emissoras de TV na Região dos Lagos (RJ), a mentora de comunicação Cris Frazão é outra que fala em furar a bolha. "Nós somos os especialistas em comunicação e não conseguimos falar para o grande público, não usamos as redes sociais para defender nossa profissão".
Cris considera que os jornalistas que atuam na imprensa são sobrecarregados e ficam desencorajados e sem energia para lutar por melhores condições de trabalho e remuneração. "Quando estava na televisão, eu vivia no automático e também me sentia assim. Penso que o Enprojor vem preencher essa lacuna e nos ajudar nos desafios".
Participaram ainda do encontro do Enprojor, realizado no dia 3 de março, Ana Cristina Hermano, assessora da prefeitura de Rio das Ostras (RJ), Álvaro Brito, de Resende (RJ), jornalista e servidor do Incra, e Márcio Ferreira, analista de RH aposentado da Petrobras e astrólogo, residente em Niterói.
A próxima reunião está prevista para o dia 11 de junho. Quem tiver interesse em participar, jornalista ou não, pode pedir o link pelo e-mail marcello@releiturasemcomunicacao.com.br
Ilustração: Google / Gemini