Jornalistas precisam 'romper a bolha' para enfrentar redes e IA

19/03/2026

Sem perder o olhar crítico sobre os desafios da profissão, incluindo o crescimento do uso da Inteligência Artificial e o impacto das redes sociais, o grupo reunido pelo Projeto Enfrentamento da Crise da Profissão de Jornalista (Enprojor) acredita e promove soluções coletivas. Foi esse o norte do encontro on-line realizado no dia 3 de março, com participantes de seis diferentes cidades do Rio de Janeiro e Minas Gerais.

"Temos totais condições de furar a bolha e levar conteúdo sério ao enorme público que vem sendo prejudicado com a desinformação", afirmou Astrea Castro, assessora da direção e responsável pelo Setor de Comunicação do Núcleo de Biodiversidade e Sustentabilidade – Nupem/UFRJ Macaé.

Na visão de Astrea, há um grande número de jornalistas altamente qualificados que podem promover a resistência aos efeitos desagregadores das plataformas e das ferramentas como o Chat Gpt e o Gemini. "O que falta é um movimento de articulação, como o Enprojor. Acredito que esse projeto tem tudo para conseguir apoio de instituições de pesquisa e ser levado a todos os cursos de jornalismo do país", afirma ela, que é mestra em Ciências Ambientais e Conservação pela UFRJ e revisa trabalhos desenvolvidos no Nupem.

Lei do Profissional Multimídia

O debate se ampliou para os principais interesses dos jornalistas. Mário Souza, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro (SJPRJ), que mora em Niterói, criticou a Lei do Profissional Multimídia: "Esse Foi um decreto imperdoável do governo federal". Marcus Santos, que atua na Petrobras, no Projeto de Comunicação Social da Bacia de Campos (PCS-BC) em Macaé, concordou. "Foi uma verdadeira traição do presidente Lula contra a categoria".

Fernanda Viseu, integrante da Comissão Nacional de Ética da Fenaj, da mesma cidade, e Clinton Davisson, jornalista e escritor de Juiz de Fora, também discutiram a respeito. Falou-se de uma "vingança" do presidente Lula, pela perseguição que sofreu por parte da imprensa. Mas houve a ponderação de que, na verdade, quem destinou, por décadas, manchetes contra Luís Inácio foram os donos de jornais e emissoras, e não os empregados, duramente atingidos pela legislação. "Defendemos e devemos trabalhar pela revogação já!", enfatizou Fernanda.

Apoio de pessoas de outras profissões

A busca do apoio de não jornalistas para o resgate da profissão é uma das metas do Enprojor. "Precisamos do respaldo da sociedade. Temos em nossa Comunidade de Pesquisa e Prática (CPP) também pessoas de outras profissões, que entendem que o jornalismo é indispensável à democracia", afirma Marcello Riella Benites, da assessoria da Câmara Municipal de Macaé".

A Comunidade de Pesquisa e Prática do Enprojor conta com cerca de 100 pessoas, também dos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e DF. O projeto é o resultado da tese de doutorado de Marcello, defendida no Programa de Pós-Graduação em Cognição Linguagem (PPGCL) da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), em uma linha de pesquisa que envolve comunicação e tecnologias da informação

A luta dos jornalistas

Tendo já atuado por 15 anos em grandes emissoras de TV na região de Cabo Frio, a mentora de comunicação Cris Frazão é outra que fala em furar a bolha. "Nós somos os especialistas em comunicação e não conseguimos falar para o grande público, não usamos as redes sociais para defender nossa profissão".

Cris considera que os jornalistas atuantes na imprensa são sobrecarregados e ficam desencorajados e sem energia para lutar por melhores condições de trabalho e remuneração, o que deixa um vazio na luta dos jornalistas. "Quando estava na televisão, eu vivia no automático e também me sentia assim. Penso que o Enprojor vem preencher essa lacuna e nos ajudar nos desafios, contribuindo com a luta dos jornalistas".

Participaram ainda do encontro do Enprojor, realizado no dia 3 de março, a jornalista de Maricá Cláudia Abreu, Ana Cristina Hermano, assessora da prefeitura de Rio das Ostras, Álvaro Brito, de Resende, assessor do Incra-RJ, e Márcio Ferreira, analista de RH aposentado da Petrobras e astrólogo, residente em Niterói. A próxima reunião está prevista para o dia 11 de junho. Quem tiver interesse em participar, jornalista ou não, pode pedir o link pelo e-mail marcello@releiturasemcomunicacao.com.br.

Ilustração: Google / Gemini

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